quarta-feira, 25 de abril de 2018

Os primeiros movimentos de independência

Fim da II Guerra Mundial
 Surge uma onda anticolonialista, reforçada pelos princípios de autodeterminação estabelecidos na Carta das Nações Unidas, que deixou marcas profundas nos impérios coloniais que se tinham organizado no início do século XX.

As colónias europeias lutam pela independência.

DESCOLONIZAÇÃO

(processo de emancipação política de uma colónia em relação à sua metrópole)

Fatores que a explicam: 

  • Apoio das superpotências (EUA e URSS) à autodeterminação dos povos colonizados.
  • Enfraquecimento das potências europeias e consequente espírito de abertura às exigências da ONU.
  • Formação, entre os colonizados, de elites intelectuais que tinham consciência da sua importância geoestratégica, económica e humana.

Formas de independência:
  •  Negociada e pacífica (Índia)
  •  Recurso à violência (Indochina)
















Na Índia, foi utilizada a via pacífica, por Mahatma Gandhi, que defendeu a independência do seu país, alcançada em 1947, incentivando a população à desobediência civil, sem violência.
No caso da Indochina, que recorreu à violência, foram utilizadas tácticas de guerrilha que levaram ao desgaste do ocupante francês e a Indonésia conseguiu a sua independência em relação à Holanda, em 1949, após uma longa luta contra a metrópole.
Em África, o processo mais violento foi no Congo Belga, onde a independência deu origem a uma guerra civil. A Argélia conseguiu a sua independência em 1962, depois de um longo conflito com a França.

Nos finais dos anos 60 do século XX, a maior parte dos povos colonizados consegue a sua independência política.

Conferência de Bandung (1955, Indonésia) - um grupo de países da Ásia, África e Médio Oriente reuniram-se para marcar a sua oposição ao colonialismo e a sua independência em relação aos dois  blocos.

Conferência de Belgrado (1961, Sérvia) - os países afro-asiáticos fundaram o Movimento dos Países Não Alinhados, proclamando a sua neutralidade face ao confronto entre as superpotências.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Cristianismo

No mundo ocidental, talvez seja esta a História mais divulgada, o que não significa que todos a entendam. É a História do Cristianismo, isto é, a História de Cristo, das suas ideias, transmitida, sobretudo, pelos seus seguidores e intérpretes.


Jesus Cristo nasceu na época do Imperador Octávio César Augusto, em Belém, na Judeia. Jesus era um judeu israelita, de origem muito humilde. Jesus exerceu a profissão de carpinteiro, mas, desde cedo, desenvolveu ideias muito próprias. A partir dos 30 anos, começou a defendê-las em público, não tardando a ter seguidores fiéis. Apresentava-se como Messias, o Filho de Deus que vinha à Terra com a missão de salvar a Humanidade. Dizia isto numa terra oprimida pelos Romanos.
Tudo leva a crer que Jesus era um homem de discurso impressionante e que a religião que pregava era uma religião da palavra. Jesus Cristo recorria às parábolas (mensagens contadas em forma de história do quotidiano, mas com fundo moral). Anunciava algo de novo: uma religião de amor aos Homens e a Deus. Oferecia a salvação eterna que apenas se conseguia através da virtude, do amor ao próximo e da fé na palavra de Deus. Afirmava que a morte era apenas a passagem para uma vida nova, eternamente vivida no reino de Deus. Igualdade entre os homens, fraternidade, caridade, humildade, condenação da opressão, da injustiça e da violência são os traços principais da mensagem de Jesus Cristo.
Os cristãos, com base nestes valores, tornaram-se opositores ao Império Romano e, sobretudo, ao seu modelo de sociedade esclavagista. Não é de estranhar, portanto, que desde cedo as ideias de Cristo tenham enfurecido os Romanos e o Imperador.
De facto, os Romanos temiam Jesus, pois a sua pregação negava o culto ao Imperador, convidando à revolta dos Judeus contra o Império. Pôncio Pilatos, governador da Palestina, não tem outra saída se não julgá-lo. Cristo é assim interrogado e condenado à morte.

A verdade é que desde então, a sua doutrina permaneceu no Mundo inteiro, graças à ação dos apóstolos (nome dado por Cristo aos 12 homens escolhidos por ele para pregarem a mensagem cristã). Os mais humildes foram os que primeiro acolheram o Cristianismo, mas progressivamente as classes superiores foram tomando como suas as novas ideias.

A data do nascimento de Cristo foi escolhida, no mundo ocidental, como a do início de uma nova Era: a Era cristã.
Os discípulos de Jesus registaram os acontecimentos da sua vida e o seu pensamento nos Evangelhos. A Bíblia é o livro sagrado dos cristãos e é constituída pelo Antigo Testamento (Livros sagrados do Judaísmo) e Novo Testamento ( Evangelhos e outros livros sagrados).

A recusa de prestar culto ao Imperador e aos seus deuses romanos, originou perseguições brutais aos cristãos. Todos os que não renunciavam à nova fé eram condenados à morte: lançados às feras no Coliseu, crucificados ou queimados vivos. No entanto, a resistência dos Cristãos aos Romanos começou desde cedo: os cristãos organizam-se, reúnem-se e escondem-se em longos corredores subterrâneos, as catacumbas.
No ano 313, o Imperador Constantino converte-se ao Cristianismo, decretando a liberdade religiosa através do Edito de Milão. Finalmente, em 380, o Imperador Teodósio declara o Cristianismo a religião oficial do Estado Romano, proibindo os outros cultos – Édito de Tessalónica.



sábado, 7 de abril de 2018

A Revolução Francesa

Nas décadas de 1770 e 1780, a França foi afetada por uma grave crise económica e financeira. Os ministros das finanças de Luís XVI, propunham, como solução da crise, o pagamento de impostos pelo Clero e pela Nobreza. Para o efeito foram convocados os Estados Gerais, mas as três Ordens não se entenderam sobre o sistema de votação. Então, o Terceiro Estado, porque considerava representar a maioria da Nação, instituiu-se em Assembleia Nacional.  Em 14 de Julho de 1789, o povo, em Paris, apoderou-se da Bastilha, prisão do Estado e símbolo do Absolutismo, provocando tumultos que se alastraram por toda a França, com assaltos a castelos e residências senhoriais.
 A Assembleia Nacional, na qualidade de Assembleia Constituinte, para acalmar os ânimos e estabelecer uma nova ordem,  tomou medidas revolucionárias:
  • a abolição dos direitos feudais;
  • a publicação dos Direitos do Homem e do Cidadão;
  • a elaboração de uma Constituição.

O Clero e a Nobreza gozavam de grandes privilégios e o Terceiro Estado sujeito a impostos e obrigações.



A 4 de Agosto de 1789, a Assembleia Nacional Constituinte pôs fim aos direitos feudais (banalidades e corveias, dízima ao clero, venda e compra de cargos) e aos símbolos das ordens privilegiadas (como os brasões da nobreza e os chapéus dos cardeais).


A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão,  aprovada pela Assembleia Constituinte, em 26 de Agosto de 1789,  enumerava os direitos naturais de cada cidadão, destacando os princípios da liberdade (de opinião, de culto, de reunião), de igualdade (jurídica e fiscal) e de soberania popular.

A Consituição aprovada em 1791, estabeleceu a separação dos poderes (executivo, legislativo e judicial), pelo que consagrou a soberania da Nação e limitou o poder do rei. O rei Luís XVI não concordava com as mudanças operadas em França e acabou por ser acusado de traição por conspirar contra o regime. Em consequência, a Monarquia Constitucional foi suspensa e proclamada a República

A França passou a ser governada por uma nova instituição - a Convenção. Pouco depois o rei foi condenado à morte (1793). Seguiu-se um período de grandes confrontos políticos entre os grupos moderados (girondinos) e radicais (jacobinos) que levou milhares de pessoas à guilhotina (período do Terror).
À Convenção sucedeu o Diretório (1795-1799), no decorrer do qual a França foi dirigida por representantes da burguesia moderada. As dificuldades económicas, sociais e políticas acabaram por levar Napoleão Bonaparte ao poder.

Em 1799, Napoleão Bonaparte, jovem e prestigiado general, foi convidado a fazer parte como 1º Cônsul do Regime instituído pelo Golpe de Estado - o 18 de Brumário - levado a cabo por políticos conservadores.
Podemos distinguir duas fases na governação de Napoleão:
  • a do Consulado (1799 a 1804) - em que partilhou o poder com outros 2 Cônsules;
  • a do Império (1804 a 1814) -  a que governou a França como Imperador.
Com vista a submeter os países que se opunham ao estabelecimento de uma nova ordem política e económica liberal, Napoleão conquistou grande parte da Europa. Em 1814  as tropas da Prússia, Áustria e Rússia entraram em Paris e Napoleão foi obrigado a renunciar ao poder e a exilar-se na ilha de Elba. No ano seguinte, Napoleão, após ter tomado novamente o poder foi, definitivamente, derrotado na Batalha de Waterloo (Bélgica) por um exército anglo-prussiano. Então, foi desterrado para a ilha de Santa Helena (no sul do Oceano Atlântico), vindo a falecer em 1821.


Bloqueio Continental (1806): bloqueio económico, imposto por Napoleão a Inglaterra, proibindo aos restantes países europeus qualquer tipo de comércio com os Ingleses.


A Legião de Honra (para condecorar os melhores servidores do Estado), o Franco (uma moeda estável) e o Código Civil (que confirmava as liberdades individuais, a igualdade perante a lei e o direito à propriedade) foram importantes medidas napoleónicas de modernização da França.
Com a Revolução Francesa uniformizaram-se os pesos e as medidas (litro, grama, metro), assim como por toda a Europa Continental.


Os ideais da Revolução Francesa - liberdade, igualdade, fraternidade - propagaram-se por toda a Europa e América Latina.
Na Europa, os exércitos franceses difundiram os novos ideais que, ao longo do século XIX, conduziram a revoluções liberais contra os regimes absolutistas.
Na América Latina, a divulgação das novas ideias desencadeou movimentos autonomistas que levaram à independência das colónias.

Reconstrução e Política de Blocos

Após a 2ª Guerra Mundial os EUA e a URSS tornaram-se nas duas superpotências mundiais.

                  EUA             PLANO ECONÓMICO           URSS


PLANO MARSHALL (1947/48)


Objetivos:


a)    Reconstruir a economia europeia (indústria e comércio)
b)    Reafirmar e reforçar a hegemonia dos EUA
c)    Travar a expansão do comunismo




COMECON (1949)


Objetivos:


a)    Cooperação económica e apoio financeiro da URSS aos Estados Membros
b)    Reforçar a hegemonia da URSS  na Europa de Leste
c)    Evitar o alastrar da influência americana


               EUA   PLANO MILITAR (alianças defensivas)    URSS

NATO (1949)
Organização do Tratado do Atlântico Norte

PACTO DE VARSOVIA (1955)

                 EUA               PLANO POLÍTICO              URSS


DEMOCRACIA E CAPITALISMO

KOMINFORM (1947)
Orgão de controlo de todos os partidos COMUNISTAS europeus



            A Europa passou assim a estar dividida em dois blocos separados por uma linha (imaginária) que ficou conhecida por “Cortina de Ferro” (Winston Churchill) e que deu origem à “Guerra Fria”.




            Bloco Capitalista                                    Bloco Socialista
            (Europa Ocidental)    Cortina de Ferro   (Europa de Leste)


"CLIMA DE GUERRA FRIA”

Período de grande tensão entre os EUA e a URSS, que levou as duas superpotências mundiais a uma corrida aos armamentos nucleares.
Foi um período de espionagem intensa, com a intervenção das Polícias Secretas, nomeadamente a CIA (EUA) e o KGB (URSS). Não ousando confrontar-se directamente, EUA e URSS passaram a apoiar os seus aliados em conflitos regionais.
O clima de guerra fria e a corrida às armas nucleares conduziram ao chamado “equilíbrio pelo terror”( a não utilização das armas com medo da destruição total ).

OS CONFLITOS ENTRE OS DOIS BLOCOS
1. O bloqueio de Berlim (1948/49) - em 1945, em consequência da derrota na 2ª guerra mundial, a Alemanha e a cidade de Berlim foram divididas pelas quatro potências - EUA, URSS, Inglaterra e França. Em 1948, os EUA, a Inglaterra e a França resolveram unir economicamente as zonas que ocupavam em Berlim. A URSS reagiu, ordenando o bloqueio terrestre da cidade. Em resposta os EUA organizaram uma ponte aérea de abastecimento a Berlim. Em 1949 ultrapassou-se o conflito com a criação da República Federal da Alemanha (na parte ocidental) e a República Democrática da Alemanha (na parte oriental). Em 1961, a RDA, para impedir a fuga de cidadãos de Leste para Ocidente, construiu o Muro de Berlim.

2. A criação da República Popular da China - Em 1949, as forças nacionalistas, apoiadas pelos EUA, foram forçadas a abandonar o poder face aos sucessos das tropas comunistas, comandadas por Mao Tsé-Tung e auxiliadas pela URSS.
3. A Guerra da Coreia - Em 1950, a Coreia do Norte, comunista, invadiu a Coreia do Sul, capitalista. A URSS apoiou a Coreia do Norte e os EUA a Coreia do Sul. A guerra terminou em 1953 e causou mais de 1,5 milhões de mortos. As fronteiras mantiveram-se nos limites antigos ( a linha do paralelo 38).
4. Mísseis em Cuba - Em 1962, a URSS instalou mísseis em Cuba apontados para os EUA, a pretexto de defender o regime comunista, de Fidel Castro, das pretensões americanas. Kennedy exigiu a retirada dos mísseis sob ameaça de usar a bomba atómica. A URSS cedeu e os EUA comprometeram-se a não derrubar o regime cubano, mas iniciaram um bloqueio económico à ilha.

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Em 14 de Outubro, os Estados Unidos divulgaram fotos de um vôo secreto realizado sobre Cuba apontando cerca de quarenta silos para abrigar mísseis nucleares.

5. A Guerra do Vietname (1964/1975) - o Vietname do Norte (pró-soviético) invadiu o Vietname do Sul (apoiado pelos EUA). O governo norte-americano interveio na guerra civil, mas os seus militares não conseguiram vencer a guerrilha vietnamita. Em 1975 os EUA abandonaram o Vietname, que foi unificado e submetido à ideologia comunista.
Vários estados africanos e asiáticos, reunidos em 1955 na Conferência de Bandung, mostraram o seu distanciamento em relação aos dois blocos político-militares, dando assim origem ao Movimento dos Não-Alinhados.



          

domingo, 18 de fevereiro de 2018

A 2ª Guerra Mundial : antecedentes e fases da guerra


No fim da década de 30, o clima de paz internacional foi interrompido pela eclosão de um novo conflito mundial que decorreu entre 1939 e 1945, a 2ª Guerra Mundial.
Vários fatores foram responsáveis pelo eclodir do conflito:

A) A CRISE ECONÓMICA DOS ANOS 30
B) A ASCENSÃO DOS REGIMES AUTORITÁRIOS (Imperialismo das ditaduras e a Corrida aos armamentos )
C) A POLÍTICA EXPANSIONISTA DOS PAÍSES DO EIXO (Alemanha, Itália e Japão) *
D) A GUERRA CIVIL DE ESPANHA: prefigurou os blocos que iriam defrontar-se na 2ª Guerra Mundial)
E) O FRACASSO DA SOCIEDADE DAS NAÇÕES ( incapaz de manter a paz )
F) A PASSIVIDADE DAS DEMOCRACIAS OCIDENTAIS (a França e a Grã-Bretanha tentaram resolver os conflitos através da via diplomática e das cedências e convenceram-se que o objetivo da Alemanha era atacar o comunismo na URSS).**
                                                                                                                     

*A POLÍTICA EXPANSIONISTA DOS PAÍSES DO EIXO


Nos anos 30, a Alemanha, a Itália e o Japão vão dominar outros países, concretizando uma política expansionista ditada fundamentalmente por duas razões:
  • A necessidade de mais matérias-primas de forma a recuperar da crise económica que caracteriza os finais dos anos 20 e 30.
  • A crença na superioridade rácica ou na grandiosidade nacional.
"O Japão não tem escolha: ele morrerá se não dominar outras regiões. Altamente industrializado, o seu solo não tem qualquer matéria-prima essencial à sua indústria (...), a agricultura japonesa não pode alimentar uma população que passou de 33 milhões de habitantes em 1872 a 70 milhões em 1934.
Morrer ou expandir-se é a questão; exportar os seus produtos ou o excedente da sua população. Igualmente imperiosa é a necessidade de encontrar matérias-primas. Por isso, a expansão se fará sob todas as formas: a dos comerciantes; a das armas, se necessário for, onde se manifestarem resistências; a guerra económica (vai ser levada a cabo) em todas as frentes."
                                                                            Revue économique internacional, Bruxelas, 1934


"A situação económica da Alemanha é, em breves traços a seguinte: estamos superpovoados e não temos meios próprios capazes de alimentar toda a população. Além disso, também nos faltam algumas matérias-primas fundamentais ao crescimento da indústria alemã. A solução reside no alargamento do "espaço vital" pelo que é necessário termos o exército preparado para a luta e a economia capaz de suportar a guerra. Temos de continuar a eterna marcha dos Germanos para sul e ocidente da Europa."
                                                                    A. Hitler, Plano dos 4 anos (Agosto, 1936)
  CRONOLOGIA

Data

Acontecimento

1931
Japão ocupa a Manchúria
1933
Japão e Alemanha abandonam a SDN
1935
Itália ataca a Etiópia
1936
Remilitarização da Renânia pela Alemanha.
Início da Guerra Civil de Espanha.
Eixo Roma – Berlim (Itália e Alemanha)
Pacto Anti-Komintern (Alemanha e Japão)
1937
Japão conquista locais estratégicos no litoral da China
1938
Alemanha anexa a Áustria e os Sudetas (região a noroeste da Checoslováquia)
1939
Alemanha ocupa a Boémia-Morávia (a oeste e este da Checoslováquia).
Pacto de Aço (Itália- Alemanha).
Itália anexa a Albânia.
Pacto de Não Agressão Germano-Soviético.
1 de Setembro – Invasão da Polónia pela Alemanha – início da 2ª Guerra Mundial



































**"Os anos de 1933 a 1939 foram os da grande cruzada antifascista (...) a provocação de Hitler ao abandonar a SDN (...) a sua arrogância ao repudiar o Tratado de Versalhes (...) a sua entrada na Áustria. No intervalo, a conquista da Etiópia por Mussolini e da Manchúria pelo Japão e a vitória de Franco na Espanha. vem depois (...) a guerra, que nós tinhamos previsto mas para a qual não nos preparámos. Estes sete anos de cegueira, que paralisaram o Ocidente, são um dos mais espantosos fenómenos da História
                                                    A Koestler, Hieróglifos



A ECLOSÃO DO CONFLITO
Assim que atravessou a fronteira polaca, Hitler abalou os frágeis alicerces da paz internacional e arrastou o mundo para a 2ª Guerra Mundial.
Aquando do avanço alemão, a França e a Inglaterra acionaram os tratados de defesa que tinham assinado com a Polónia e não hesitaram em declarar guerra aos alemães. Estava em marcha um novo conflito à escala mundial que se prolongaria por seis anos e causaria milhões de vítimas.
A 20 de Setembro de 1939, Hitler entrou em Danzigue numa atitude triunfante e de desafio aos                        governantes dos países democráticos.

 
A 2ª Guerra Mundial desenvolveu-se em 3 fases:
·        1939/1941 – Guerra Relâmpago
·        1942/1943 – Guerra Total - mundialização do conflito
·        1944/1945 – Vitória dos Aliados




GUERRA RELÂMPAGO (BLITZKRIEG)

Após a ocupação da Polónia (1939), a Alemanha prosseguiu a sua expansão militar utilizando a tática da Guerra-Relâmpago, isto é, uma rápida movimentação de carros blindados, apoiados por bombardeamentos da aviação contra as forças militares inimigas.
1940  – ocupação da Dinamarca, Noruega, Países Baixos, Bélgica e parte da França.
Apenas os países neutrais como Portugal, Espanha, Suíça e Suécia escaparam na Europa Ocidental.
Nos céus das Ilhas Britânicas e do Canal da Mancha travaram-se duros combates aéreos entre a aviação alemã (Luftwaffe) e a aviação britânica (Royal Air Force). Esta conseguiu impedir o desembarque alemão nas ilhas.
1941 – Alemanha ocupa a Grécia, a Jugoslávia e o Egipto, ataca a URSS, rompendo o Pacto Germano-Soviético.
No Pacífico, a aviação japonesa atacou de surpresa a Base Naval Americana de Pearl Harbor, no Havai.



BATALHA DE INGLATERRA
A 13 de Agosto de 1940, «Adlertag» O dia da Águia, tem inicio a fase mais crítica da chamada Batalha de Inglaterra, período durante o qual a força aérea da Alemanha tenta garantir total superioridade aérea sobre as ilhas Britânicas com o objectivo de permitir a invasão da Inglaterra pelos alemães.
Os alemães subestimaram e ignoraram completamente o efeito do radar nas operações aéreas. Além do Hurricane, que era a aeronave mais significativa em termos de número, os alemães também se depararam com o caça britânico «Spitfire», que embora construído em menor número, era mais ágil que os caças alemães.
Os alemães ainda mudaram os seus alvos: de Londres passaram a atacar outras cidades. Mas os resultados foram semelhantes: muita destruição, mas nada de enfraquecerem a RAF ou forçarem a capitulação britânica. Isso serviu para tornar clara a sua derrota. A Luftwaffe não conseguiu destruir a moral do povo britânico e desviou-se do seu verdadeiro objetivo: a destruição da RAF.Churchill, em discurso na Câmara dos Comuns no dia 20 de Agosto de 1940, declarou a frase que se tornou célebre:
- "Nunca, no campo dos conflitos humanos, tantos deveram tanto a tão poucos"
 Ataques aéreos a Londres
 O espírito de resistência britânico

"Spitfire"



OPERAÇÃO BARBA RUIVA
A Operação Barba Ruiva, foi o maior ataque militar da história da humanidade, quando os exércitos combinados da Alemanha, Finlândia, Hungria e Roménia atacaram conjuntamente a União Soviética sem declaração de guerra.
O objectivo era a destruição completa da União Soviética, reduzindo a Rússia a um estado tributário empurrado para oriente dos montes Urais, e para a extensão da estepe siberiana, para onde também seriam enviados os sobreviventes e os indesejáveis.
Confiantes na inevitabilidade da vitória, os dirigentes alemães (especialmente Hitler) não tinham considerado qualquer preparação para combater no inverno.
Às primeiras horas da manhã de 22 de Junho (um Domingo) a Luftwaffe destrói milhares de aviões soviéticos no chão e a fronteira começa a ser atravessada em inúmeros pontos.
 A aviação soviética é aliás a arma mais afectada, pois as perdas são tremendas e os aviões russos praticamente desaparecem dos céus.
Embora a operação tenha ocorrido com relativa facilidade para os alemães, as forças russas em presença são bastante poderosas. Os soviéticos contam com mais tanques que todos os exércitos do mundo juntos. A principal razão da catástrofe do lado russo, prende-se acima de tudo com a incompetência generalizada dos comandantes do exército russo, a que se juntaram a utilização de tácticas ultrapassadas e desajustadas. No entanto, embora com uma resistência desorganizada e com grandes perdas, os planos alemães começaram a apresentar problemas desde o primeiro dia, sem que estes lhes tenham dado a importância adequada. A resistência russa em grandes bolsas impedia o normal avanço das forças alemãs e os atrasos vão-se acumulando.
A operação Barba Ruiva, deveria estar concluída em 12 semanas, mas a 22 de Setembro, as forças alemãs ainda estavam muito longe de Moscovo e o seu avanço era cada vez mais lento.
A surpresa das armas russas também afecta psicologicamente os soldados alemães. Nos altos comandos do Reich, os tanques russos são uma surpresa, embora vários relatórios menosprezados por Hitler, tivessem deduzido que os russos tinham tanques superiores aos alemães.
A União Soviética, foi o primeiro país a utilizar os lançadores múltiplos de foguetes, durante a segunda guerra mundial. A este sistema, a URSS deu o nome de Katyusha, ao qual os soldados soviéticos deram o nome de "orgãos de Estaline".











PEARL HARBOR

Bem cedo, na manhã de domingo de sete de dezembro de 1941, uma veloz esquadrilha de aviões torpedeiros japoneses sobrevoou a baía de Pearl Harbor, no Havai, onde se encontravam ancorados a maioria dos barcos norte-americanos que pertenciam à frota do Pacífico dos Estados Unidos da América. Lá embaixo, um ao lado do outro, enfileiravam-se encouraçados e outros navios de guerra menores como se estivessem ancorados para rumarem para desfile. Nas duas horas seguintes daquela data fatídica para as armas norte-americanas, sem nenhuma declaração prévia de guerra, a marinha sofreu mais baixas e afundamentos do que no transcorrer da Primeira Guerra Mundial. No dia seguinte, no dia oito de dezembro, o presidente Franklin Delano Roosevelt, profundamente agastado e indignado, classificando o inesperado ataque nipônico como um acto de infâmia, encaminhou ao Congresso norte-americano uma declaração de guerra. Durante os quatro anos seguintes o Oceano Pacífico iria conhecer o diabo.
Voltaire Schilling- História in http://educaterra.terra.com/




GUERRA TOTAL

1942- O poderio alemão estendia-se por quase toda a Europa. O Japão, no Oriente, dominava também um vasto Império.
A exploração dos recursos agrícolas, minerais e humanos serviu à Alemanha e ao Japão para sustentar as suas máquinas de guerra, sujeitando as populações dominadas a pesados impostos e à escravidão como mão-de-obra. Os alemães perseguiam de forma cruel os eslavos e, particularmente, os judeus, os quais procuraram exterminar. Também os japoneses se consideravam uma raça superior, perseguiam e maltratavam os povos submetidos, principalmente os chineses. De forma brutal puseram em prática a política dos 3 “Tês”: “Levar tudo, Queimar tudo e Matar tudo”.
 
Os judeus eram considerados uma raça inferior, impura e perigosa, pelo que foram objeto de perseguição pelos alemães. Ao princípio foram encerrados em guetos, onde viviam em condições degradantes. Hitler decretou a “Solução Final” em 1942, isto é, o extermínio total dos judeus da Europa – Genocídio (destruição de um grupo étnico ou de uma raça). A partir daqui foram levados para campos de extermínio, onde foram asfixiados em câmaras de gás e queimados em fornos crematórios.




Nos países ocupados, alguns elementos da população colaboravam com as autoridades (colaboracionistas) e outros procuraram resistir. Na Europa, a Resistência praticou atos de sabotagem em pontes, linhas férreas, depósitos de armas e instalações industriais. Neste caso tiveram papel importante a Resistência Francesa, Grega, Jugoslava e Russa.
Entre 1942 e 1943, travaram-se duros combates em várias frentes:
·        No Atlântico – Os EUA com os seus submarinos e a sua superioridade em material bélico (gigantescos porta-aviões, radares e bombardeiros de grande alcance) obtiveram significativas vitórias, abrindo o caminho para o desembarque na Europa.
·        No Mediterrâneo – no Norte de África as forças inglesas, comandadas pelo General Montgomery, derrotaram os alemães no Egipto; as forças anglo-americanas desembarcaram na Argélia e em Marrocos, libertaram o Norte de África e conquistaram o Sul da Itália, chefiados por Eisenhower, e  derrubaram Mussolini.
·        Na URSS – após violentos combates, o exército alemão incapaz de aguentar o “General Inverno”, foi derrotado na sangrenta Batalha de Estalinegrado.
·        No Pacífico – as forças americanas obtiveram importantes vitórias sobre os japoneses nas batalhas aeronavais de Midway e de Guadalcanal. Contudo o Japão resistiu até 1945.



A VITÓRIA DOS ALIADOS

1944 – Em 6 de Junho deste ano, “Dia D”, tropas Aliadas (francesas, canadianas, inglesas e americanas), comandadas por Eisenhower, numa gigantesca operação anfíbia e aérea entraram na Normandia e iniciaram a libertação da França. Em 15 de Agosto deu-se novo desembarque, desta vez na Provença (sul de França). Estes desembarques permitiram a libertação da França e da Bélgica.
1945 - Os russos, apoiados pela aviação aliada, avançaram em direção a Berlim, que veio a render-se a 2 de Maio de 1945. Hitler ter-se-á suicidado. Terminara a Guerra na Europa!
O Japão atacado pela URSS e vítima das duas primeiras bombas atómicas, lançadas pelos americanos em Agosto em Hiroxima e Nagasáqui, rendeu-se a 2 de Setembro.
A 2ª Guerra chegara ao fim!

 






"Quando fui a Hiroshima pela primeira vez, em 1967, ainda ali se encontrava a sombra nos degraus. Era uma imagem quase perfeita de um ser humano descontraído: as pernas esticadas, as costas dobradas, uma mão na cintura, enquanto estava ali sentada à espera que o banco abrisse. Às oito e um quarto da manhã de 6 de Agosto de 1945, ela e a sua silhueta ficaram gravadas a fogo no granito. Fiquei a olhar para aquela sombra durante uma hora ou mais, depois desci até ao rio e encontrei um homem chamado Yukio, que ainda tinha gravado no peito o padrão da camisa que vestia quando caiu a bomba atómica.
Ele e a sua família ainda viviam numa cabana enterrada na poeira de um deserto atómico. Descreveu um gigantesco clarão sobre a cidade, "uma luz azulada, como um curto-circuito eléctrico", depois do que soprou um vento como um tornado e caiu uma chuva negra. "Fui atirado ao chão e só reparei que os pés das minhas flores tinham desaparecido. Estava tudo calmo e silencioso e, quando me levantei, as pessoas estavam todas nuas e não diziam uma palavra. Algumas delas não tinham pele, outras não tinham cabelo. Tive a certeza de que estava morto". Nove anos depois, quando lá voltei e o procurei, ele tinha morrido com leucemia.
Imediatamente depois da bomba, as entidades aliadas de ocupação proibiram qualquer referência ao envenenamento por radiações e afirmaram insistentemente que as pessoas tinham morrido ou sofrido danos apenas pela explosão da bomba.
Foi a primeira grande mentira.(...)"John Pilger
O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=20532 .




Rosa de Hiroshima
(Vinícius de Moraes e Gerson Conrad)
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada.