domingo, 18 de fevereiro de 2018

A 2ª Guerra Mundial : antecedentes e fases da guerra


No fim da década de 30, o clima de paz internacional foi interrompido pela eclosão de um novo conflito mundial que decorreu entre 1939 e 1945, a 2ª Guerra Mundial.
Vários fatores foram responsáveis pelo eclodir do conflito:

A) A CRISE ECONÓMICA DOS ANOS 30
B) A ASCENSÃO DOS REGIMES AUTORITÁRIOS (Imperialismo das ditaduras e a Corrida aos armamentos )
C) A POLÍTICA EXPANSIONISTA DOS PAÍSES DO EIXO (Alemanha, Itália e Japão) *
D) A GUERRA CIVIL DE ESPANHA: prefigurou os blocos que iriam defrontar-se na 2ª Guerra Mundial)
E) O FRACASSO DA SOCIEDADE DAS NAÇÕES ( incapaz de manter a paz )
F) A PASSIVIDADE DAS DEMOCRACIAS OCIDENTAIS (a França e a Grã-Bretanha tentaram resolver os conflitos através da via diplomática e das cedências e convenceram-se que o objetivo da Alemanha era atacar o comunismo na URSS).**
                                                                                                                     

*A POLÍTICA EXPANSIONISTA DOS PAÍSES DO EIXO


Nos anos 30, a Alemanha, a Itália e o Japão vão dominar outros países, concretizando uma política expansionista ditada fundamentalmente por duas razões:
  • A necessidade de mais matérias-primas de forma a recuperar da crise económica que caracteriza os finais dos anos 20 e 30.
  • A crença na superioridade rácica ou na grandiosidade nacional.
"O Japão não tem escolha: ele morrerá se não dominar outras regiões. Altamente industrializado, o seu solo não tem qualquer matéria-prima essencial à sua indústria (...), a agricultura japonesa não pode alimentar uma população que passou de 33 milhões de habitantes em 1872 a 70 milhões em 1934.
Morrer ou expandir-se é a questão; exportar os seus produtos ou o excedente da sua população. Igualmente imperiosa é a necessidade de encontrar matérias-primas. Por isso, a expansão se fará sob todas as formas: a dos comerciantes; a das armas, se necessário for, onde se manifestarem resistências; a guerra económica (vai ser levada a cabo) em todas as frentes."
                                                                            Revue économique internacional, Bruxelas, 1934


"A situação económica da Alemanha é, em breves traços a seguinte: estamos superpovoados e não temos meios próprios capazes de alimentar toda a população. Além disso, também nos faltam algumas matérias-primas fundamentais ao crescimento da indústria alemã. A solução reside no alargamento do "espaço vital" pelo que é necessário termos o exército preparado para a luta e a economia capaz de suportar a guerra. Temos de continuar a eterna marcha dos Germanos para sul e ocidente da Europa."
                                                                    A. Hitler, Plano dos 4 anos (Agosto, 1936)
  CRONOLOGIA

Data

Acontecimento

1931
Japão ocupa a Manchúria
1933
Japão e Alemanha abandonam a SDN
1935
Itália ataca a Etiópia
1936
Remilitarização da Renânia pela Alemanha.
Início da Guerra Civil de Espanha.
Eixo Roma – Berlim (Itália e Alemanha)
Pacto Anti-Komintern (Alemanha e Japão)
1937
Japão conquista locais estratégicos no litoral da China
1938
Alemanha anexa a Áustria e os Sudetas (região a noroeste da Checoslováquia)
1939
Alemanha ocupa a Boémia-Morávia (a oeste e este da Checoslováquia).
Pacto de Aço (Itália- Alemanha).
Itália anexa a Albânia.
Pacto de Não Agressão Germano-Soviético.
1 de Setembro – Invasão da Polónia pela Alemanha – início da 2ª Guerra Mundial



































**"Os anos de 1933 a 1939 foram os da grande cruzada antifascista (...) a provocação de Hitler ao abandonar a SDN (...) a sua arrogância ao repudiar o Tratado de Versalhes (...) a sua entrada na Áustria. No intervalo, a conquista da Etiópia por Mussolini e da Manchúria pelo Japão e a vitória de Franco na Espanha. vem depois (...) a guerra, que nós tinhamos previsto mas para a qual não nos preparámos. Estes sete anos de cegueira, que paralisaram o Ocidente, são um dos mais espantosos fenómenos da História
                                                    A Koestler, Hieróglifos



A ECLOSÃO DO CONFLITO
Assim que atravessou a fronteira polaca, Hitler abalou os frágeis alicerces da paz internacional e arrastou o mundo para a 2ª Guerra Mundial.
Aquando do avanço alemão, a França e a Inglaterra acionaram os tratados de defesa que tinham assinado com a Polónia e não hesitaram em declarar guerra aos alemães. Estava em marcha um novo conflito à escala mundial que se prolongaria por seis anos e causaria milhões de vítimas.
A 20 de Setembro de 1939, Hitler entrou em Danzigue numa atitude triunfante e de desafio aos                        governantes dos países democráticos.

 
A 2ª Guerra Mundial desenvolveu-se em 3 fases:
·        1939/1941 – Guerra Relâmpago
·        1942/1943 – Guerra Total - mundialização do conflito
·        1944/1945 – Vitória dos Aliados




GUERRA RELÂMPAGO (BLITZKRIEG)

Após a ocupação da Polónia (1939), a Alemanha prosseguiu a sua expansão militar utilizando a tática da Guerra-Relâmpago, isto é, uma rápida movimentação de carros blindados, apoiados por bombardeamentos da aviação contra as forças militares inimigas.
1940  – ocupação da Dinamarca, Noruega, Países Baixos, Bélgica e parte da França.
Apenas os países neutrais como Portugal, Espanha, Suíça e Suécia escaparam na Europa Ocidental.
Nos céus das Ilhas Britânicas e do Canal da Mancha travaram-se duros combates aéreos entre a aviação alemã (Luftwaffe) e a aviação britânica (Royal Air Force). Esta conseguiu impedir o desembarque alemão nas ilhas.
1941 – Alemanha ocupa a Grécia, a Jugoslávia e o Egipto, ataca a URSS, rompendo o Pacto Germano-Soviético.
No Pacífico, a aviação japonesa atacou de surpresa a Base Naval Americana de Pearl Harbor, no Havai.



BATALHA DE INGLATERRA
A 13 de Agosto de 1940, «Adlertag» O dia da Águia, tem inicio a fase mais crítica da chamada Batalha de Inglaterra, período durante o qual a força aérea da Alemanha tenta garantir total superioridade aérea sobre as ilhas Britânicas com o objectivo de permitir a invasão da Inglaterra pelos alemães.
Os alemães subestimaram e ignoraram completamente o efeito do radar nas operações aéreas. Além do Hurricane, que era a aeronave mais significativa em termos de número, os alemães também se depararam com o caça britânico «Spitfire», que embora construído em menor número, era mais ágil que os caças alemães.
Os alemães ainda mudaram os seus alvos: de Londres passaram a atacar outras cidades. Mas os resultados foram semelhantes: muita destruição, mas nada de enfraquecerem a RAF ou forçarem a capitulação britânica. Isso serviu para tornar clara a sua derrota. A Luftwaffe não conseguiu destruir a moral do povo britânico e desviou-se do seu verdadeiro objetivo: a destruição da RAF.Churchill, em discurso na Câmara dos Comuns no dia 20 de Agosto de 1940, declarou a frase que se tornou célebre:
- "Nunca, no campo dos conflitos humanos, tantos deveram tanto a tão poucos"
 Ataques aéreos a Londres
 O espírito de resistência britânico

"Spitfire"



OPERAÇÃO BARBA RUIVA
A Operação Barba Ruiva, foi o maior ataque militar da história da humanidade, quando os exércitos combinados da Alemanha, Finlândia, Hungria e Roménia atacaram conjuntamente a União Soviética sem declaração de guerra.
O objectivo era a destruição completa da União Soviética, reduzindo a Rússia a um estado tributário empurrado para oriente dos montes Urais, e para a extensão da estepe siberiana, para onde também seriam enviados os sobreviventes e os indesejáveis.
Confiantes na inevitabilidade da vitória, os dirigentes alemães (especialmente Hitler) não tinham considerado qualquer preparação para combater no inverno.
Às primeiras horas da manhã de 22 de Junho (um Domingo) a Luftwaffe destrói milhares de aviões soviéticos no chão e a fronteira começa a ser atravessada em inúmeros pontos.
 A aviação soviética é aliás a arma mais afectada, pois as perdas são tremendas e os aviões russos praticamente desaparecem dos céus.
Embora a operação tenha ocorrido com relativa facilidade para os alemães, as forças russas em presença são bastante poderosas. Os soviéticos contam com mais tanques que todos os exércitos do mundo juntos. A principal razão da catástrofe do lado russo, prende-se acima de tudo com a incompetência generalizada dos comandantes do exército russo, a que se juntaram a utilização de tácticas ultrapassadas e desajustadas. No entanto, embora com uma resistência desorganizada e com grandes perdas, os planos alemães começaram a apresentar problemas desde o primeiro dia, sem que estes lhes tenham dado a importância adequada. A resistência russa em grandes bolsas impedia o normal avanço das forças alemãs e os atrasos vão-se acumulando.
A operação Barba Ruiva, deveria estar concluída em 12 semanas, mas a 22 de Setembro, as forças alemãs ainda estavam muito longe de Moscovo e o seu avanço era cada vez mais lento.
A surpresa das armas russas também afecta psicologicamente os soldados alemães. Nos altos comandos do Reich, os tanques russos são uma surpresa, embora vários relatórios menosprezados por Hitler, tivessem deduzido que os russos tinham tanques superiores aos alemães.
A União Soviética, foi o primeiro país a utilizar os lançadores múltiplos de foguetes, durante a segunda guerra mundial. A este sistema, a URSS deu o nome de Katyusha, ao qual os soldados soviéticos deram o nome de "orgãos de Estaline".











PEARL HARBOR

Bem cedo, na manhã de domingo de sete de dezembro de 1941, uma veloz esquadrilha de aviões torpedeiros japoneses sobrevoou a baía de Pearl Harbor, no Havai, onde se encontravam ancorados a maioria dos barcos norte-americanos que pertenciam à frota do Pacífico dos Estados Unidos da América. Lá embaixo, um ao lado do outro, enfileiravam-se encouraçados e outros navios de guerra menores como se estivessem ancorados para rumarem para desfile. Nas duas horas seguintes daquela data fatídica para as armas norte-americanas, sem nenhuma declaração prévia de guerra, a marinha sofreu mais baixas e afundamentos do que no transcorrer da Primeira Guerra Mundial. No dia seguinte, no dia oito de dezembro, o presidente Franklin Delano Roosevelt, profundamente agastado e indignado, classificando o inesperado ataque nipônico como um acto de infâmia, encaminhou ao Congresso norte-americano uma declaração de guerra. Durante os quatro anos seguintes o Oceano Pacífico iria conhecer o diabo.
Voltaire Schilling- História in http://educaterra.terra.com/




GUERRA TOTAL

1942- O poderio alemão estendia-se por quase toda a Europa. O Japão, no Oriente, dominava também um vasto Império.
A exploração dos recursos agrícolas, minerais e humanos serviu à Alemanha e ao Japão para sustentar as suas máquinas de guerra, sujeitando as populações dominadas a pesados impostos e à escravidão como mão-de-obra. Os alemães perseguiam de forma cruel os eslavos e, particularmente, os judeus, os quais procuraram exterminar. Também os japoneses se consideravam uma raça superior, perseguiam e maltratavam os povos submetidos, principalmente os chineses. De forma brutal puseram em prática a política dos 3 “Tês”: “Levar tudo, Queimar tudo e Matar tudo”.
 
Os judeus eram considerados uma raça inferior, impura e perigosa, pelo que foram objeto de perseguição pelos alemães. Ao princípio foram encerrados em guetos, onde viviam em condições degradantes. Hitler decretou a “Solução Final” em 1942, isto é, o extermínio total dos judeus da Europa – Genocídio (destruição de um grupo étnico ou de uma raça). A partir daqui foram levados para campos de extermínio, onde foram asfixiados em câmaras de gás e queimados em fornos crematórios.




Nos países ocupados, alguns elementos da população colaboravam com as autoridades (colaboracionistas) e outros procuraram resistir. Na Europa, a Resistência praticou atos de sabotagem em pontes, linhas férreas, depósitos de armas e instalações industriais. Neste caso tiveram papel importante a Resistência Francesa, Grega, Jugoslava e Russa.
Entre 1942 e 1943, travaram-se duros combates em várias frentes:
·        No Atlântico – Os EUA com os seus submarinos e a sua superioridade em material bélico (gigantescos porta-aviões, radares e bombardeiros de grande alcance) obtiveram significativas vitórias, abrindo o caminho para o desembarque na Europa.
·        No Mediterrâneo – no Norte de África as forças inglesas, comandadas pelo General Montgomery, derrotaram os alemães no Egipto; as forças anglo-americanas desembarcaram na Argélia e em Marrocos, libertaram o Norte de África e conquistaram o Sul da Itália, chefiados por Eisenhower, e  derrubaram Mussolini.
·        Na URSS – após violentos combates, o exército alemão incapaz de aguentar o “General Inverno”, foi derrotado na sangrenta Batalha de Estalinegrado.
·        No Pacífico – as forças americanas obtiveram importantes vitórias sobre os japoneses nas batalhas aeronavais de Midway e de Guadalcanal. Contudo o Japão resistiu até 1945.



A VITÓRIA DOS ALIADOS

1944 – Em 6 de Junho deste ano, “Dia D”, tropas Aliadas (francesas, canadianas, inglesas e americanas), comandadas por Eisenhower, numa gigantesca operação anfíbia e aérea entraram na Normandia e iniciaram a libertação da França. Em 15 de Agosto deu-se novo desembarque, desta vez na Provença (sul de França). Estes desembarques permitiram a libertação da França e da Bélgica.
1945 - Os russos, apoiados pela aviação aliada, avançaram em direção a Berlim, que veio a render-se a 2 de Maio de 1945. Hitler ter-se-á suicidado. Terminara a Guerra na Europa!
O Japão atacado pela URSS e vítima das duas primeiras bombas atómicas, lançadas pelos americanos em Agosto em Hiroxima e Nagasáqui, rendeu-se a 2 de Setembro.
A 2ª Guerra chegara ao fim!

 






"Quando fui a Hiroshima pela primeira vez, em 1967, ainda ali se encontrava a sombra nos degraus. Era uma imagem quase perfeita de um ser humano descontraído: as pernas esticadas, as costas dobradas, uma mão na cintura, enquanto estava ali sentada à espera que o banco abrisse. Às oito e um quarto da manhã de 6 de Agosto de 1945, ela e a sua silhueta ficaram gravadas a fogo no granito. Fiquei a olhar para aquela sombra durante uma hora ou mais, depois desci até ao rio e encontrei um homem chamado Yukio, que ainda tinha gravado no peito o padrão da camisa que vestia quando caiu a bomba atómica.
Ele e a sua família ainda viviam numa cabana enterrada na poeira de um deserto atómico. Descreveu um gigantesco clarão sobre a cidade, "uma luz azulada, como um curto-circuito eléctrico", depois do que soprou um vento como um tornado e caiu uma chuva negra. "Fui atirado ao chão e só reparei que os pés das minhas flores tinham desaparecido. Estava tudo calmo e silencioso e, quando me levantei, as pessoas estavam todas nuas e não diziam uma palavra. Algumas delas não tinham pele, outras não tinham cabelo. Tive a certeza de que estava morto". Nove anos depois, quando lá voltei e o procurei, ele tinha morrido com leucemia.
Imediatamente depois da bomba, as entidades aliadas de ocupação proibiram qualquer referência ao envenenamento por radiações e afirmaram insistentemente que as pessoas tinham morrido ou sofrido danos apenas pela explosão da bomba.
Foi a primeira grande mentira.(...)"John Pilger
O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=20532 .




Rosa de Hiroshima
(Vinícius de Moraes e Gerson Conrad)
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Guerra Civil de Espanha

"GUERNICA" de Pablo Picasso
Exposta atrás de um vidro à prova de balas no Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, em Madrid, está Guernica, a obra que talvez seja a melhor expressão do horror e da brutalidade da guerra desde a série de águas-fortes Desastres da Guerra, de Francisco Goya (c.1810-1820).


Em 1936, quando a Guerra Civil Espanhola eclodiu, Picasso vivia em França. Leal à república, ele foi incumbido pelo governo espanhol de pintar uma tela para a Exposição Universal de 1937, em Paris. Em abril, contudo, a cidade basca de Guernica foi bombardeada durante um ataque nazi que matou 1.600 pessoas. Picasso inspirou-se nesse evento para criar a sua vigorosa obra de protesto contra os fascistas liderados pelo generalíssimo Francisco Franco.
A tela, com 3,5m por 7,8m, é pintada em cinza e branco. Os seus tons monocromáticos refletem a tristeza do evento e conferem à pintura uma impressão de relato. As suas exuberantes imagens dão vazão a várias interpretações - um touro, um cavalo, uma lâmpada; pessoas correndo, atónitas, com a agonia e o horror estampados no rosto, uma arma com uma flor e uma espada partida. Picasso, contudo,  recusava-se a esclarecer o possível significado desses símbolos. Já o significado da famosa imagem da mulher chorando sobre o corpo do filho morto é óbvio.
Na foto abaixo é possível termos uma ideia da sua dimensão:



Depois de ser exibida em Paris, Guernica circulou pela Europa, até ser mostrada no MoMA de Nova York. A obra retornou à Espanha em 1981, depois da morte de Franco, porque Picasso havia dito que o mural deveria voltar somente quando o país se tornasse uma democracia novamente.

Numa exposição, o general alemão Otto Abetz, governador da cidade de Paris durante a ocupação nazi, dirigindo-se a Picasso,  perguntou-lhe:
"Foi o senhor quem fez este horror?"
Picasso teria respondido:
"Não, senhor embaixador. Esse horror foi feito pelos senhores!"

in arteemerson.blogspot.com


A GUERRA CIVIL DE ESPANHA (síntese)

Desde a 1ª Guerra mundial que a Espanha atravessava uma grave situação económica, social e política.
  • 1923 – Ditadura Militar do General Primo de Rivera com a cumplicidade do Rei Afonso XIII
  • 1931 – Queda da Monarquia e instauração da República
  • 1936 – A “Frente Popular” (socialistas, comunistas e outros republicanos de esquerda) vence as eleições com maioria absoluta.
  • Reação violenta das forças conservadoras (Nacionalistas), chefiadas pelo General Franco que lidera a revolta militar.


GUERRA CIVIL (1936/1939)

NACIONALISTAS                      REPUBLICANOS

“General Franco”                         “Frente Popular”
Apoiantes
Apoiantes
  • Exército Espanhol
  • Itália
  • Alemanha
  • Portugal
  • URSS
  • Brigadas Internacionais (voluntários defensores da democracia)


  • 1939 – Vitória do General Franco que instaurou um Regime Ditatorial de tipo fascista, que durou até 1975 e cujo lema era “Franco manda e a Espanha obedece”.

CONCLUSÕES:

  1. PASSIVIDADE DAS DEMOCRACIAS OCIDENTAIS: a Grã-Bretanha e a França decidiram não interferir no conflito com medo que este se transformasse numa guerra mundial.
  2. CAMPO DE ENSAIO PARA A ALEMANHA: Hitler aproveitou a participação da Alemanha na Guerra Civil de Espanha para testar os seus homens e o seu armamento.
  3. PREFIGURAÇÃO DOS BLOCOS QUE SE IRIAM DEFRONTAR NA 2ª GUERRA MUNDIAL.



 









Um nome
Di-lo-ei pela cor dos teus olhos,
pela luz

onde me deito;
di-lo-ei pelo ódio,pelo amor
com que toquei as pedras nuas,
por uns passos verdes de ternura,
pelas adelfas,
quando as adelfas nestas ruas
podem saber a morte;
pelo mar
azul,
azul-cantábrico,azul-bilbau,
quando amanhece;
di-lo-ei pelo sangue
violado
e limpo e inocente;
por uma árvore,
uma só árvore,di-lo-ei:
Guernica!

Eugénio de Andrade

domingo, 4 de fevereiro de 2018

ANTIGO REGIME - IV



Holanda e Inglaterra – as exceções
 

POLITICAMENTE
A Holanda e a Inglaterra não aderiram ao Absolutismo.
A Holanda organizou-se numa federação de províncias (Províncias Unidas), unidas sob um governo republicano, com eleições livres e periódicas.
A Inglaterra manteve a monarquia, mas o Parlamento mantinha-se como o principal órgão de soberania, ao qual o rei tinha de se submeter.

ECONOMICAMENTE
Nas Províncias Unidas (Holanda) e Inglaterra predominava, no século XVII, uma burguesia dinâmica e empreendedora, que cresceu e enriqueceu devido:

  • Adesão à religião protestante que, ao contrário da Igreja Católica, não criticava  a obtenção do lucro;
  •  Participação nas Companhias Comerciais;
  •  Apoio financeiro dos Bancos e da Bolsa
  •  Regimes políticos favoráveis aos seus interesses.

A Holanda atingiu o seu auge no século XVII. Defendendo a liberdade económica foi o único país que não protegeu a sua economia do comércio internacional e destacou-se pelo seu dinamismo comercial e financeiro.

A Inglaterra atingiu o seu auge no século XVIII.
Em 1651, Oliver Cromwell, criou o Ato de Navegação – lei que estipulava:

  • Que os produtos das colónias inglesas só podiam ser transportados por barcos ingleses,
  •  Que os barcos estrangeiros só podiam transportar para Inglaterra produtos seus ou das suas colónias. 
Com uma poderosa frota marítima, os ingleses tiraram a hegemonia económica aos holandeses.

CONCLUSÃO: os burgueses Ingleses e Holandeses enriqueceram (ACUMULAÇÃO DE CAPITAIS) e, na procura de mais lucro, investiam os capitais acumulados no comércio internacional (CAPITALISMO COMERCIAL).